A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentou, na última quarta-feira (24/02), no Crato, os resultados dos estudos sobre monitoramento de aquíferos na região do Cariri, onde fica a maior reserva de águas subterrâneas do Ceará.
O projeto iniciou em 2022, em convênio firmado com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com investimento de cerca de R$ 1 milhão. O foco é analisar, através de isótopos ambientais, a recarga e a idade de aquíferos estratégicos para o abastecimento da 2ª área mais populosa do estado, com mais de 1 milhão de habitantes.
Durante o encontro, a gerente de projetos da Cogerh, Zulene Almada, destacou que, hoje, cerca de 50 municípios cearenses são abastecidos exclusivamente por meio de poços. Em cenários de seca extrema, esse número pode chegar a aproximadamente 100 municípios atendidos por sistemas baseados em poços, reforçando o papel dos aquíferos como fonte complementar e, em alguns casos, principal alternativa de abastecimento.
“É um projeto ímpar pois mostra o ciclo e os caminhos das águas do Cariri por meio desse monitoramento isotópico que vem desde 2022“, explicou a encarregada do projeto.
Na Bacia do Araripe, desde agosto de 2009, a Cogerh realiza monitoramento automatizado em 24 poços. Nas demais bacias hidrográficas do estado, incluindo ambiente cristalino, é realizado, mensalmente, monitoramento manual em 568 unidades.
O técnico da Cogerh, Guilherme Filgueira, e o pesquisador em Geociências e doutor pela UNESP, Didier Gastmans, alertaram sobre os desafios para efetivação de estratégias de uso sustentável de águas subterrâneas.
A retirada excessiva de água dos aquíferos na região do Cariri foi o foco da exposição, especialmente em Juazeiro do Norte e no Crato. Nesses municípios, o forte crescimento econômico e o avanço da agricultura geram uma pressão hídrica elevada.
Esse aumento contínuo na extração não apenas ameaça o volume das reservas futuras, mas também compromete a qualidade da água. O cenário é agravado também na qualidade das água, com construção inadequada de poços, falta de saneamento e outras fontes difusas de poluição.
O seminário reuniu gestores, técnicos, pesquisadores, membros do Comitê da sub-bacia do Salgado e representantes do poder público municipal.


